DIZ-ME MÃE
Tu não tens culpa mãe
De eu ser só isto
Havia dois caminhos
O do Diabo e de Cristo.
O terceiro eu inventei
E nele me perdi
Então criei sózinho
Um outro mundo
Tão belo, tão perfeito
Como a curva suave
Do teu peito
Que eu não vi.
Mãe quero ser pequenino
Como os meus primeiros passos
Sejam iguais aos do menino
Saido dos teus braços
Sem ambição
Tu não tens culpa mãe
De eu ser só isto
Perdão.
Diz-me, diz-me minha mãe
Na tristeza desta hora
Quantas dores eu te custei
E que te dei pela vida fora.
Diz-me que quando dormia
Nesse teu colo divino
A tua alma não pedia
A Deus pelo teu menino.
Diz-me tu que me geraste
Meu fado minha raiz
Quantas lágrimas choraste
Pelas loucuras que fiz.
Todas as dores do passado
E do presente também
Descanças neste meu fado
Boa noite minha mãe.
Carlos Conde de Mont.



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